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Poupatempo lança serviço de leitura para pessoas com problemas visuais
Da Agência Imprensa Oficial e da Assessoria de Imprensa do Poupatempo

Programa Voz Amiga: na data e horário marcados, o cidadão vai ao Poupatempo Itaquera levando o material para leitura, que é feita por um voluntário.

Todo cidadão tem direito à cultura e à informação. No caso das pessoas com deficiência visual, porém, esse acesso é muitas vezes limitado e até impossível. Afinal, algumas ainda não tiveram a oportunidade de aprender a ler em braile, e as que sabem nem sempre encontram publicações nesse sistema de leitura. É pequena, também, a quantidade de obras nesse segmento.

Buscando uma alternativa para a inclusão dessa parcela da população, a unidade do Poupatempo Itaquera lançou o programa Voz Amiga, que conta com atendimento feito por voluntários, a exemplo do trabalho realizado há mais de oito anos com o Escreve Cartas.

A idéia nasceu de um cidadão que há anos toma emprestadas as mãos dos voluntários do Escreve Cartas do Poupatempo Itaquera para redigir ou endereçar suas correspondências.

Petrúcio Ramos da Silva, 65 anos, tem deficiência visual desde a adolescência. Ele é alfabetizado em braile, mas sabe das dificuldades em encontrar publicações com o método de leitura que utiliza a sensibilidade tátil.

No programa Voz Amiga, o atendimento é individualizado e realizado a partir de agendamento por telefone. Na data e horário marcados, o cidadão vai ao Poupatempo Itaquera levando o material para leitura, que é feita por um voluntário durante 30 minutos.

Seleção minuciosa – “Estamos realizando este atendimento desde abril do ano passado, como projeto-piloto. De lá para cá, contamos com a ajuda do senhor Petrúcio,idealizador do Voz Amiga, para formatar o serviço e definir o perfil desejado para escolher os voluntários leitores”, conta o gerente do Poupatempo Itaquera, Marcelo Pedrosa.

De acordo com Pedrosa, a seleção dos voluntários tem de ser minuciosa. “Cinco características são fundamentais: boa dicção, leitura clara e pausada, atenção, concentração e
imparcialidade”, afirma.

Nedina da Silva, de 43 anos, se alfabetizou em braile assim que descobriu que perderia a visão por completo, há sete anos. Há alguns meses, resolveu inscrever-se em um curso profissionalizante, para facilitar a busca por um emprego. Logo, começou a encontrar obstáculos: “Entrei no curso, que utilizava o sistema de apostilas, mas não havia publicação em braile”.

Determinada a se dedicar aos estudos, e de gravador em punho, Nedina começou a abordar pessoas nas calçadas para ler os textos das apostilas de seu curso. Amigos indicaram o serviço existente no Poupatempo Itaquera, e ela pôde continuar os estudos. “Para nós, é a melhor coisa que a sociedade tem a oferecer.

Não queremos o peixe, queremos aprender a pescar”, afirma. O Brasil tem mais de 16 milhões de pessoas com deficiência visual, das quais cerca de 2,6 milhões vivem no Estado de São Paulo, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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